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domingo, 8 de novembro de 2015

Modernidade Pedagógica



As transformações sociais e as políticas públicas sempre andaram junto com a educação. No Brasil, a urbanização e o crescimento das cidades forçaram as políticas públicas a buscar uma escolarização de espírito moderno. Uma modernidade que garantisse instrução, saúde, moradia, segurança... Ainda que esse espírito moderno significasse varrer a pobreza para longe da cidade. A escola foi deixando de ser uma extensão da família, deixando de existir em pequenas casas e núcleos, para existir em grandes centros de estudo. Mais uma vez, a finalidade da educação não era a de apenas educar e instruir seus alunos de acordo com as necessidades do governo, da política e da economia. Novamente, as escolas ou centros de estudo serviram como moldes de comportamento. Contraditoriamente, foi na escola que as classes menos favorecidas, negros, operários e imigrantes fizeram sua resistência. E ainda que a política determinasse o rumo seguido pela escola, foi durante a construção dessa modernidade pedagógica, que começou a surgir uma real qualificação e organização dos professores e da escola no Brasil. A escola foi assim construindo lentamente sua identidade até os nossos dias, ainda que essa identidade tenha sido forjada pelas políticas públicas.

“Quando optamos pelos (des)encantos da modernidade pedagógica, pretendíamos vislumbrar a resistência e a diversidade para além da construção dos espaços da cidade e da escola como produção/reprodução de controle e de opressão. As cidades são espaços de contradição, de luta, de criação de novos desejos, de negação da unitelaridade da História. Assim também consideramos a escola.”(pág.394)

Depois de ler o texto (Des)Encantos da Modernidade Pedagógica, de Clarice Nunes, somos forçados a pensar e repensar em uma nova forma de educar e mais do que isso, em nossa própria forma de educar. Pensar em uma nova forma de escolarização, que tenha como prioridade as necessidades da criança, onde o poder e as políticas públicas sigam essas necessidades e não o contrário. Pode parecer utópico acreditar nisso, mas o que seremos senão acreditarmos numa escola que transforma e numa sociedade mais justa para todos?

     
                www.youtube.com/watch?v=blw9t4RBITU             
               www.youtube.com/watch?v=EcW8BXA8wyE                                       

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Revolução Alfabetizadora

“Por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa.” Emília Ferreiro


Tive a oportunidade de conhecer as ideias de Emília Ferreiro, quando fiz meu curso de Magistério no Emílio Meyer, em 2012 e 2013. A Psicogênese da Língua Escrita é mais do que um processo de como a escrita se constitui num objeto de conhecimento para a criança. É uma mudança radical sobre a questão mais importante da alfabetização. A pergunta: “Como alfabetizar as crianças?”Deixou de ser a mais importante, para dar espaço à outra pergunta: “Como as crianças aprendem?”A criança é vista, a partir dessa mudança, como centro e agente do processo de aprendizagem. Passa a ser sujeito ativo e inteligente desse processo. As ideias de Emília Ferreiro provocaram uma revolução alfabetizadora. A alfabetização tradicional dá um peso muito grande ao exterior da escrita e deixa de lado as características conceituais dessa escrita. Assim, o contato com a organização da escrita vai sendo adiado para quando a criança for capaz de ler palavras isoladas, quando as relações que a criança estabelece com textos inteiros são enriquecedoras desde o início. A escrita é um objeto de conhecimento, levando em consideração, as tentativas individuais infantis, a interação, o aspecto social, onde a alfabetização é um processo discursivo. A criança aprende por sua própria lógica. Sou no meu dia a dia, uma testemunha ocular, de como o ambiente pode incentivar ou prejudicar o processo de alfabetização. Um ambiente alfabetizador desperta, valoriza e estimula a curiosidade e o aprendizado da criança. Nos faz refletir sobre a questão de não haver déficits, mas oportunidades e no quanto é importante levar em consideração o conhecimento trazido pela criança.