Cheguei na aula de Infâncias de 0 à 10 anos com o
coração batendo mais que um bongô. Era minha primeira aula na UFRGS e lá estava
eu, com aquele "turu turu" dentro do meu peito. A professora Fabiana nos fez pensar sobre os universos distintos que
essa larga faixa etária abrange. O que entendemos por infância hoje? O que
significa pensar nesse tempo, as infâncias que se produzem e que nós produzimos
hoje na cultura? É preciso entender e perceber que existem diferentes conceitos
e as múltiplas infâncias. Qual é o nosso papel diante dessas infâncias? Para
que e porque educar a infância? O que caracteriza a infância chamada
contemporânea. É preciso pensar na infância dentro de um pluralismo. Sem
preconceitos, sem subestimar a criança em suas potencialidades, nem o nosso
trabalho como educadoras. Depois, tivemos a oportunidade de falar sobre nossas
experiências em relação à infância hoje.
Foi uma surpresa muito grata para mim, saber que a professora Fabiana foi uma das
colaboradoras do filme “As Aventuras do Avião Vermelho”, inspirado no livro, com
o mesmo nome, escrito por Érico Veríssimo.
Por coincidência, esse também é o nome do meu projeto de magistério, que fiz
quando trabalhei na Escola de Educação Infantil Osmar dos Santos Freitas, a
Marzico, na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre. Senti uma alegria tão grande, não
só pela feliz coincidência, mas ao perceber que compartilho com a professora, o estusiasmo por essa história, que fez e sempre fará parte da minha trajetória
como professora.
O livro “As Aventuras do Avião
Vermelho”, conta a história de Fernandinho, um menino de oito anos, sem amigos
e com problemas de relacionamento em casa e na escola. Sem saber como lidar com
a situação, o pai tenta conquistá-lo com presentes. Nada funciona, até ele dar
para o filho, um livro de sua infância. A bordo do avião vermelho e junto com
seus brinquedos favoritos, Ursinho e Chocolate, que ganham vida com sua
imaginação, Fernandinho visita lugares inusitados, como a Lua e o fundo do mar e
percorre diferentes países: África, China, Índia, Rússia. Ao longo dessa
jornada, Fernandinho descobre o prazer da leitura, a importância de ter amigos
e o amor da família. Como Fernandinho, as crianças do Maternal 2 da Marzico, precisavam
voltar a ser criança. Elas precisavam e queriam usar a imaginação infantil para
brincar e viver aventuras que só as crianças podem e sabem viver. Por isso, achei
que seria muito interessante viajar no avião vermelho com as crianças e
conhecer lugares distantes, aprender coisas diferentes de diferentes culturas e
diferentes formas de brincar, cantar, dançar, vestir, comer... Como
Fernandinho, vencemos nossos medos e fizemos novas descobertas. Mas o grande
barato dessa aventura foi simplesmente ser criança.
Que linda reflexão Kátia!
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